quarta-feira, 6 de maio de 2020

COVID-19: ORIENTAÇÕES

Por uma uma questão de responsabilidade social e de modo a evitar situações de risco, neste momento, as consultas deverão ocorrer, sempre que possível, através de videochamada ou teleconsulta, cumprindo as directrizes da Direcção-Geral da Saúde e da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Assim, permite-se um contacto clínico seguro, confidencial, em privacidade, enquanto consegue manter-se uma via directa e clara de comunicação. Em casos urgentes, a serem analisados pontualmente, as consultas presenciais deverão respeitar as seguintes normas:

a) Está disponível uma solução antisséptica de base alcoólica, contudo, é obrigatória a lavagem de mãos ao entrar neste espaço, antes de iniciar a consulta;

b) É recomendado o uso de máscara, mesmo durante as consultas, a todos os intervenientes;

c) Deverá ser respeitada uma distância de segurança entre cliente e terapeuta;

d) A pontualidade é essencial para assegurar medidas de limpeza adequadas entre consultas;

e) O espaço cumpre normas de higienização e desinfeção regular, por agentes adequados, sendo ainda recomendável que, tanto quanto possível, evite tocar em superfícies;

f) Idealmente, deverá apresentar-se sozinho à consulta, sendo que, caso seja necessário o acompanhamento por alguém, agradece-se a compreensão para que aguarde fora do espaço clínico;

g) Agradece-se que o pagamento seja efectuado por via digital (MBWAY ou Transferência Bancária) e, caso não seja possível, que seja utilizada a quantia exacta. 


O agendamento das consultas continua disponível, através do contacto 966278878 ou do email isabelfilipe@hotmail.com

Devemos proteger-nos, por nós, por todos pelo que é importante manter o máximo de bem-estar, físico e psicológico, de forma a conseguirmos entreajudarmo-nos e ultrapassar este enorme desafio. Impõe-se prudência, solidariedade e resiliência, sempre em segurança, e sem descuidar a saúde psicológica. 


Obrigada pela sua compreensão, vemo-nos em breve!

quinta-feira, 19 de março de 2020

Isolamento não é sinónimo de tristeza




Temos vivido dias atípicos, constrangidos a reaprender a viver de outro modo, temporariamente. Urge o cumprimento de planos de contingência, onde devemos respeitar decisões difíceis de tomar, que existem exclusivamente para nossa protecção e, de forma nenhuma, têm a intenção de agravar a ansiedade geral da população. Enquanto meia comunidade continua na rua, correndo riscos obrigatórios no sentido de ajudar a cuidar e proteger, a outra metade está de quarentena, em casa. Tenho recebido muitos pedidos de orientação sobre como lidar com a ansiedade, em ambiente doméstico. Partilho algumas sugestões que, sendo óbvias, podem estar escondidas por baixo do manto da tensão.

Estar na posição de isolamento social tem um pendor muito duro e pode levar-nos a pensar que é impossível de gerir. Atentemos que esta medida existe para nossa segurança e não é um castigo. É essencial não avaliarmos estes dias como uma “contagem”. Há quem avalie os dias como sendo dias “de guerra” ou que ao dia x ainda nos pesa o facto de faltarem outros tantos. Esta abordagem não é positiva, agravando a urgência de que passem estes dias de “prisão”, acrescido do facto de que não sabemos como será o dia de amanhã. Pelo nosso bem-estar e de quem nos rodeia, convém investirmos na harmonia emocional, tendo dinamismo físico e psicológico, tanto quanto possível.

As rotinas são importantes, mantendo horas de sono regulares, aproveitando para trabalhar em horários normais, sempre que tal seja exequível, reservando alturas próprias para fazer actividades físicas e intelectuais e organizando-se, quando for necessário sair para reabastecer recursos.

Ao nível físico, mesmo num espaço mais limitado, podemos manter-nos activos. Dançar, cantar, fazer exercícios (estilo livre ou com orientação de vídeos), ioga, etc. As varandas e pátios servem para repor a dose de vitamina D, podendo ainda ir passear os animais domésticos, com as devidas precauções. Mais ainda, este momento pode ser visto como uma oportunidade de reorganizar armários ou descongelar o congelador, dando como cumpridas as tarefas em espera.

Intelectualmente, é possível mantermo-nos produtivos. Podemos investir na formação profissional ou em algo que sempre quisemos aprender, através de com cursos online (diversos com oferta gratuita), investir em passatempos novos ou até experimentar novas receitas. 

O lazer brinda-nos com uma miríade de opções, 
relembro que para as quais nos queixamos, regularmente, não ter tempo! 

Ver séries, ouvir música, colocar a leitura em dia, jogar, o tempo não será suficiente para tudo. A meditação pode ocupar um lugar importante, sendo que, realizada de forma regular, pode trazer-nos um impacto emocional e cerebral muito saudável. Escrever é um exercício libertador emocionalmente, seja por associação livre ou em texto com conteúdo, como manter um diário. Podemos descrever como nos sentimos, mas tenhamos a atenção de divagar sobre pontos positivos, como a saúde na família, o estarmos bem, algo de saboroso que cozinhamos, uma boa noite de sono, uma conversa que deixou de estar adiada e que encheu a nossa alma ou um momento de brincadeira com os filhos.

A comunicação assertiva e respeitosa sempre foi primordial e, nos próximos tempos, pode ser a chave de ouro. Embora se viva sob o mesmo teto, é preciso usar a convivência a nosso favor e respeitar a privacidade, dentro do possível, sempre que necessário. Se pensarmos na tensão familiar que pauta alturas como o Natal, em que estamos muito menos tempo juntos, torna-se evidente que esta fase poderá ser exigente. Assim, ganha terreno a resiliência ao gerir a ansiedade e a frustração de todas as pessoas dentro de casa, bem como a nossa. Iremos aprofundar este tema, num futuro próximo!

Outro ponto muito poderoso é a boa gestão da internet. Recebemos informação constantemente, seja em jeito de alerta, de alarmismo, informativo ou cómico, estamos muito sujeitos aos estímulos da actual situação. Da mesma forma que urge estarmos atentos e informados, é igualmente relevante manter um apaziguamento mental, investindo neste equilíbrio salutar. Vivemos numa época privilegiada, em que o isolamento pode ser adoçado pelo contacto online com uma parte significativa da nossa vida, sejam recursos de lazer, profissionais, sociais ou pessoais. Esta ferramenta mitiga o peso do distanciamento.

Continuamos em contacto com as pessoas ao nosso redor, enviando abraços telefónicos a familiares, sabendo de vizinhos menos acompanhados, ouvindo palavras amigas de saudosas relações. Iremos, deste modo, mantendo-nos informados entre todos, disponibilizando a entreajuda possível, e mais ainda, conversando sobre outros temas ou partilhando um lanche em conferência online, para acalmar o estômago e o coração.

Percebo que nem sempre será simples conseguir seguir estas dicas, uma vez que estamos apreensivos e alerta. Contudo, priorizar nosso bem-estar pode ser das melhores garantias de que esta situação será ultrapassada o melhor possível. Cada um de nós terá as suas estratégias e preferências, mas tentemos usufruir com inteligência do tempo que esta difícil fase está a disponibilizar. Existe uma responsabilidade social de distanciamento, mas um dever moral de estarmos presentes na vida uns dos outros, mesmo que à distância de uma chamada, se se sentir capaz de dar uma palavra amiga. Devemos ser capazes de pedir ajuda, se sentirmos essa necessidade. Existe apoio psicológico disponível, através de várias plataformas, caso sinta que, mesmo esforçando-se por manter bons hábitos de vida, o mal-estar persiste. 

Respeitemo-nos enquanto humanidade, 
partilhemos apoio emocional e cuidemos de nós. 

Desta forma, estamos a retirar o impacto psicológico negativo a um vírus que está a descontrolar-nos emocionalmente, e, apesar do momento tão grave e delicado, vamos sentir-nos um pouco mais seguros no abraço humano psicológico que somos capazes de dar (daqueles que não exige toque, apenas compaixão).

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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Problemas? Para longe com eles!

Olá! Vamos metaforizar?

Imaginem-se no meio de um terrível desastre natural. Um descontrolo imenso à vossa volta, a natureza a clamar o seu terreno, destruição maciça sem qualquer controlo, um crescendo de devastação e terror, a alma em alvoroço, o corpo inteiro em pânico. Quando estamos no meio de uma catástrofe, apenas conseguimos sentir desespero, medo, terror, ser empurrados ao capricho das explosões bruscas pelas quais nos sentimos devorados... 

Se surgir a oportunidade de nos afastarmos, ao ponto de ver este inferno de fora, mas ainda muito próximos, iremos sentir o mesmo espectáculo de horror, sofrer muita tensão e receio, mas sentir-nos-emos com alguma esperança de não ser engolidos pelo mesmo e desejar poder escapar-lhe. 

Se formos capazes de sair daquele cenário dantesco, observando a uma distância segura, seremos capazes de ver o mesmo acidente terrível, por inteiro. Perceberemos que não é interminável, que pode ser contido e que o seu temperamento negro, tempestivo, agressivo e implacável continuará, contudo

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Entrar, sem cerimónia, nas cores alheias

Imaginem ter permissão especial para entrar nos muros privados de cada pessoa que se senta comigo e que, com coragem e dedicação, discorre sobre descrições do seu mundo, tentando encaixar sentimentos, emoções, momentos, abraços sentidos, histórias que já foram, desejos vindouros, acções pensadas ou lamentadas, beijos impetuosos, trabalhos duros e impossíveis, ócios perigosos ou escolhas intrépidas, ... O meu trabalho clínico é, indubitavelmente, um privilégio. Encaixar todas estas vidas dentro de uma pequena noz de hora. Conseguir distinguir o urgente do importante, seleccionar palavras certas e precisas, para que eu seja capaz de uma leitura organizada e completa de um quotidiano atribulado, cansado, e interrupto. 

É um desafio, conseguir estar segura de que a empatia, a escuta activa e a orientação necessárias estão na medida correcta, sem grande margem para erros ou vacilos. É humanamente muito valioso, poder obter o respeito de quem nos procura, na esperança de que resida em nós a habilidade decorosa e honesta de prestar o auxílio psicológico em falta, de modo competente e interessado. A troco destas competências e atenção, ser-se brindado com uma partilha real de história de vida, sucessos, medos, hesitações, necessidades de reorganização, anseio de novas perspectivas e de abordagens mais ou menos alcançadas. 

Não posso deixar de destacar que estar quieto 
é, imensas vezes, mais difícil do que agir:

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Desligar para activar: InnSaei

Olá a todos! 

O mundo existe, hoje em dia, a uma velocidade estonteante, com todas as ferramentas e actividades que temos disponíveis. Temos de parar e de fazer um esforço real se pretendermos saltar fora deste carrossel hiperactivo e ter um momento de calma. Já para termos um momento de paz interior, temos de fazer mais do que isso. 

Vi, recentemente, um documentário que venho hoje sugerir que vejam: o InnSaei! É uma hora do vosso tempo que, bem interpretada, valerá como muito mais horas de tempo de qualidade com vocês mesmos e com as pessoas que vos rodeiam. 

É a história de uma pessoa que se esgota num quotidiano vivido em piloto automático, sempre seguindo a lógica e a racionalidade de uma vida activa de trabalho. Interrompendo-se este ciclo de forma abrupta e forçosa, opta por descobrir como entrou em burn out, percebendo que vivemos submersos no mundo que criamos, em vez de atentarmos no mundo à nossa volta. Não usufruímos de experiências sensoriais, apenas de comandos seguidos uns aos outros, e, na busca incessante de prazer, anulamos a possibilidade de isso acontecer em pleno.

terça-feira, 1 de maio de 2018

A vida vai torta... Jamais se endireita

Olá a todos!

Em dia de manifestação internacional pelos direitos e melhoria das condições de trabalho, numa união coesa de respeito por todos nós, retomamos a partilha, rumo a um nós mais realizado. Para que consigamos lutar, em amplitude, por melhores condições laborais, ajuda sentirmo-nos aptos, em todas as nossas esferas. A estabilidade e a motivação devem iniciar-se dentro de nós, nesse imenso local que nos confere energia e faculdade de operarmos sobre o que queremos e merecemos. Em dia de luta, vejamos como obter vitalidade mental e física, através da consideração até pelos nossos dias mais tortos.

Todos nós temos momentos. Momentos bons, menos bons ou até em momentos que nem conseguimos perceber como estamos. A vida é um autêntico desafio, repleto de outros tantos desafios, que nos brindam com situações delicadas, assustadoras dúvidas e espantosos sucessos ou surpresas. No quotidiano, escolhemos mais as nossas armas, do que a luta onde nos encontramos. Não pretendo dar aqui uma conotação negativa aos alcances que podemos atingir, uso estes termos no sentido de força, de empenho, de trabalho para obter o que acreditamos ou queremos. Quando nascemos, temos o desafio de aprender a ser, em adolescentes, suspeitamos se ainda nos falta aprender algo, em adultos percebemos o quanto ainda nos falta aprender e na idade avançada compreendemos que talvez possamos usar o que sabemos, de diferentes formas. A vida ajuda-nos a alcançar novas perspectivas, este é um dos super poderes que mais aprecio e valorizo no ser humano. É ele que nos leva a sentir empatia, a aproximarmo-nos dos outros e a sentirmo-nos compreendidos e mais felizes e serenos.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Todo o tempo do mundo, para ti

Olá a todos!

Leio, frequentemente, o mesmo através de livros, artigos e qualquer linha que caia sobre o tema de ser feliz em casal: importa passar tempo de qualidade juntos. Contudo, andamos perdidos num quotidiano que mal nos deixa tempo para inspirar fundo e cheirar as flores, relaxar em frente a um filme interessante, fazer exercício físico, convidar amigos para jantar, levar os miúdos aquela actividade tão interessante, ufa... Na realidade, como é que vamos conseguir encaixar tempo para investir um no outro, conseguir o tal "tempo de qualidade"? Mesmo que se consiga, o que é que fazemos ao certo com ele? Tem de ser um super encontro semanal? Uma escapadinha romântica mensal? Ou um gesto arrebatador a cada trimestre? E a energia... o dinheiro... a motivação para embustes amorosos que, a sermos honestos, pouco acrescentam à relação, a longo prazo...

Na realidade, pode parecer que advogo contra esse mesmo tempo de qualidade contudo garanto que isso não é verdade.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Dar e receber devia ser a nossa forma de viver

Olá a todos!

Estamos plenamente inseridos na época mais luminosa do ano. Sempre imbuídos de um espírito festivo, conseguimos dividir esta época em dois momentos. A primeira fase, o Natal, tem um sabor agridoce, em que tudo é intenso. Sentimos a vontade de estar com quem se gosta e a vontade de conseguir passar dias a fio sem conflitos, o empenho de oferecer prendas e o mesmo empenho em não se enfiar em superfícies comerciais atafulhadas em cansaço e pressa, o querer comer fartamente e a exigência de não ter consequências de excessos, o desejo de ter tudo pronto a tempo, em simultâneo com o desejo de, simplesmente, esparramar-se num sofá quente a olhar para ontem, um amor a esta fase de fraternidade misturada com umas saudades paralisantes de quem já não podemos dar a mão. É uma fase que nos brinda com sentimentos muito ambivalentes. Como, surpreendentemente, conseguimos fazer um pouco de tudo e um pouco de nada, a verdade é que

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Sim, aceito ser feliz (até que a preguiça nos separe)

Olá a todos!

O Relatório Mundial da Felicidade de 2017 indica que Portugal, este país à beira mar plantado, encontra-se na 89ª posição de entre os países mais felizes. Curiosidades complementares a este estudo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), existem 193 países. Nesta contabilização existem alguns senãos ausentes, como a Gronelândia, pertencente à Dinamarca, a República da China ou até países observadores, como o Vaticano ou a Palestina (vamos esperar que o segredo da felicidade não se encerre nestas ausências). Este estudo é feito com aproximadamente 3000 respondentes e 155 países. A Noruega surge como líder, seguida pela Dinamarca (a quem destronou) e a Islândia encerra este pódio da felicidade, sendo que os países nórdicos ocupam cinco das dez primeiras posições. Os países menos felizes são Ruanda, Síria, Tanzânia, Burindi e, por último, República Africana Central. Estas opções não surpreendem, já que, tendencialmente, são locais que passaram por guerra, desastres naturais e dificuldades sociais.

"Os países mais felizes são aqueles e em que há um equilíbrio saudável 
na prosperidade e um alto capital social, o que leva a uma confiança 
na sociedade, baixos níveis de desigualdade e confiança no governo". 


Factores do estudo que determinam a felicidade
ü  PIB per capita, ie, a riqueza por pessoa
ü  Expectativa de anos de vida saudável
ü  Suporte social
ü  Percepção de ausência de corrupção 
ü  Liberdade para tomar decisões 
ü  Generosidade


Esta análise permite ver que, ao nível pessoal, a forma a aumentar a nossa felicidade passa por:

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Texto autocentrado, com pretensões de heteroreflexão!

Olá a todos!

Ponderei muito sobre partilhar este tema ou não. Porque este tema sou eu. No entanto, quando a informação que temos pode ser uma linha orientadora para convidar à reflexão, porque não? Somos feitos de limites e de barreiras, bem necessários e construtivos, mas importa que, dentro desses traços haja espaço para respeito, partilha, liberdade e amor. Tentarei escrever com esta máxima em mente porque tento viver assim desde que me lembro de ser gente (e a minha memória tem dias bons, como alguns de vocês saberão!).

Recentemente, fui obrigada a ausentar-me do trabalho clínico, durante mais de dois meses. Desde há  (bem...) mais de uma década que não me lembro de isto ocorrer. Mesmo durante o último ano de faculdade, já tinha iniciado consultas, acompanhadas, como uma estagiária bem-comportadinha, mas sempre com muito empenho. Desde aí até ao dia de hoje, que tenho muita dificuldade em pausar o trabalho. Como é que se pausa o acompanhamento a pessoas que nos entregam um pedacinho de si mesmas e o deixam a marinar dentro da nossa preocupação e afectos? Claramente, escapou-se-me isto durante o curso. Sou de