terça-feira, 7 de maio de 2013

A ansiedade acha que manda em nós? Acabou!

Recentemente, o nosso quotidiano tem vindo a ser pautado por alguma ansiedade e desesperança, geradoras de estados de espírito menos motivados. Neste sentido, poderíamos começar por abordar várias temáticas que aqui se cruzam. No entanto, parece-me pertinente que façamos uma pequena abordagem à ansiedade, esse sentimento que nos tem acompanhado cada vez mais de perto. Espero que concordem, portanto,
aqui vamos nós!

A ansiedade nem sempre é um bichinho mau, já que, por vezes, a sentimos por motivos bons, como quando estamos perante um primeiro encontro amoroso ou quando enfrentamos um desporto radical. Outras vezes, ocorre uma maior angústia, por motivos menos bons, quando o dinheiro começa a faltar ou quando contemplamos a velhice... Isto significa que estarmos ansiosos não é um estado normal mas é uma reacção natural, que chega a ser esperada em certas situações! A ansiedade é  a sensação de medo ou de angústia em relação a uma ameaça real ou imaginária, ao nosso bem-estar físico ou emocional, representando um sinal de alerta, que nos permite prepararmo-nos para a auto-defesa. Todos podemos ver a ansiedade como um companheiro de viagem, já que é natural que esteja connosco durante a nossa evolução e novas experiências. Contudo, quando sentimos que a ansiedade começa a bloquear um dia-a-dia fluído e a interferir com as esferas do nosso quotidiano, pode tornar-se uma doença. 

Transtorno de Ansiedade Generalizada, o que é?
A ansiedade patológica caracteriza-se por ter uma duração e intensidade maior que o adequado para a situação, e além de não ajudar a enfrentar um factor percebido como ameaçador, ela dificulta a reacção. O transtorno de ansiedade generalizada costuma ser uma doença crónica, com curtos períodos de remissão e uma relevante causa de sofrimento durante vários anos. É uma preocupação exagerada, que pode abranger diversos eventos ou actividades da vida da pessoa. Costuma causar um comprometimento significativo no funcionamento social ou ocupacional da pessoa, podendo gerar um acentuado sofrimento. Existem diversos distúrbios de ansiedade, com distintos graus, que merecerão cada um a sua própria abordagem, pelo que neste momento falaremos deste transtorno generalizado da ansiedade, que é o mais comum. 

O que se sente?
Em algumas pessoas, a ansiedade exprime-se por um sentimento de receio, angústia, sensação de perigo iminente (medo de insucesso, morte súbita, medo de perder o auto controlo, medo de ficar mentalmente desestabilizado). Torna-se muito difícil controlar a preocupação, o que pode originar um esgotamento na saúde física e mental do indivíduo.
Os sintomas de ansiedade podem ser tanto físicos como mentais. De entre os principais destacam-se:
  • Inquietação ou sensação de que “algo não está bem”
  • Pulsação e/ou respiração acelerada
  • Palpitação ou batimentos cardíacos aumentados
  • Boca seca
  • Sudorese excessiva
  • Tremores
  • Respiração curta e/ou falta de ar
  • Fraqueza
  • Dormência ou formigueiro nas mãos, nos pés ou noutras partes do corpo
  • Sensação de garganta fechada
  • Problemas gastro-intestinais
  • Insónia
  • Irritabilidade
  • Dores de cabeça
  • Desmaios

Causas desta condição
As dificuldades da vida são, habitualmente, o factor desencadeante da ansiedade e, nos casos agudos, da angústia. Além disso, as dificuldades pessoais de inserção na sociedade, os conflitos interiores no domínio afectivo, emocional e sexual podem conduzir a uma sintomatologia ansiosa. A dor e o abuso de certas substâncias (tais como café, álcool e determinadas drogas) também podem despoletar episódios ansiosos. As causas da ansiedade podem ser várias: factores ambientais, psicológicos, químicos, pré-disposição hereditárias, etc. A pessoa passa a desencadear um episódio ansiogénico com muita facilidade, sendo que tudo passa a ser motivo de tensão. A paciência, a calma, a tolerância, a tranquilidade, a serenidade, o discernimento, a ponderação, e outros, passam a não fazer parte da disciplina e capacidade intelectual e psicológica do indivíduo, aumentando assim, o grau de ansiedade.

A quem afecta?
Ao contrário do que se poderia esperar, o transtorno de ansiedade é um fenómeno que atinge tanto os moradores das grandes cidades, como os habitantes das áreas rurais, podendo ocorrer tanto em homens como em mulheres, adultos ou jovens. Deve ter-se atenção, pois nas grande cidades há tendência a justificar as angústias e as ansiedades como algo normal, perante os inúmeros estímulos. As experiências diversificadas e intensas, pelas quais as pessoas passam no seu dia-a-dia, tais como: competição, violência, etc., tornam-se em algo comum, sem dar o devido  valor à sua gravidade. Ignorando e relegando para segundo plano os sentimentos e emoções, haverá prejuízo, pois uma acção silenciosa vai infiltrando e o grande fantasma aparece: o stress, e juntamente com ele reacções psicossomáticas significativas.

Existe tratamento?
O que aconselho perante alguém que sente que a ansiedade começa a ultrapassar um nível aceitável e controlável na sua vida é, sem dúvida, a procurar ajuda especializada. A Psicoterapia de Apoio poderá ser uma boa aliada, não apenas pelo espaço de segurança e conforto que representa, mas também pelas novas técnicas de relaxamento que ser poderão treinar. Além disso, muitas vezes é necessário o uso de medicação associado (antidepressivos e/ou ansiolíticos) por um determinado período, de forma a compensar algum desequilíbrio químico existente. O tratamento permitirá uma melhor gestão estado, não garantindo a sua total remissão, uma vez que os problemas surgirão sempre ao longo da vida, podendo despoletar sintomas ansiogénicos. Mas é certo que a aprendizagem efectuada durante a terapia, principalmente numa fase precoce, levará a que estes sintomas sejam gradualmente menos intensos e a que tenhamos um controlo e uma resposta mais eficaz e mais rápida. É importante referir que a maioria das pessoas experimenta uma acentuada redução da ansiedade quando lhes é oferecida a oportunidade de discutir suas dificuldades com um profissional experiente.

Existe um truque óptimo para reduzir a ansiedade? Sem dúvida: aceitá-la!
Ao aceitar a ansiedade, estamos a permitir-lhe que entre dentro de nós. Desta forma, estamos a substituir a rejeição por aceitação. E, embora isto pareça contraproducente, é importante entender que a ansiedade se alimenta dela própria! Cinco passos fulcrais:
  1. Se nós aceitarmos que estamos a ter um episódio ansioso, 
  2. Se percebermos que já passámos pelo mesmo outras vezes, 
  3. Se compreendermos que das outras vezes não aconteceu nada de grave, 
  4. Se simplesmente deixarmos a ansiedade entrar dentro de nós calmamente,
  5. A ansiedade vai naturalmente REDUZIR!

Isto porque começamos gradualmente a acalmar-nos, logo, a reduzir o nosso estado ansioso.
Quando rejeitamos a ansiedade, porque não desejamos que esta condição nos afecte, ficamos cada vez mais nervosos e vamos reagindo sempre mais angustiadamente. Então, o que é que acontece? O ciclo vicioso instala-se e a ansiedade passa a ser responsável pelos nossos pensamentos, acções e sentimentos. Se simplesmente nos lembrarmos que estes momentos de ansiedade levarão alguns minutos, diminuindo progressivamente ao longo de meia hora a uma hora, no máximo, passamos a estar em controlo, mesmo sem pensar na própria ansiedade (porque decidimos deixar de a alimentar! No fundo estamos a deixá-la morrer à fome, mas, convenhamos que estamos a falar da ansiedade... Está bem alimentadinha e não irá sofrer muito...).

Caso este passo se revele de extrema dificuldade, poderemos, ainda, alterar a actividade que estamos a desempenhar, no momento em que se começa a experimentar a crise de ansiedade. Por exemplo, imaginemos que estamos sentados a ver televisão e que começamos a divagar sobre algo que nos deixa muito perturbados. Se o treino de pensamento, ao aceitar a ansiedade não estiver a ser eficaz, é aconselhável levantarmo-nos e iniciarmos outra actividade, tal como beber uma bebida, ler um livro/blog interessante (se não ocorrer nenhum eu posso sugerir...) ou fazer uma chamada telefónica pendente. Convém ser algo que nos ocupe e permita libertar o nosso pensamento da ansiedade. Desta forma, naturalmente deixamos de atribuir importância à ansiedade (que diga-se de passagem tem a mania que é rainha e senhora de toda a gente em quem toca) e interessamo-nos mais por outras actividades muito mais giras e descontraídas! Garantidamente: um sucesso!

Bem, parece que já nos alongamos um pouco demais acerca de como dominar a ansiedade, antes que ela nos domine a nós! Quando se tenta escrever pouco de algo cativante... Resulta nisto. Este tamanho agrada ou apreciaríamos algo mais sucinto? Como sempre, o nosso cantinho está aberto a sugestões!

E para o próximo capítulo, a não perder:
Hipocondria ou  Terapia do riso.
Ponderemos!...

2 comentários:

  1. Muito obrigada Tiago! Ainda bem que gostou. Espero poder contar com a sua visita neste nosso espaço de saúde, crescimento e bem-estar!

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