terça-feira, 15 de novembro de 2016

Quero viver num parque de ratos

Olá a todos!

Foram vocês que pediram mais um vídeo recomendado? Aqui fica um sobre dependência, sobre vínculo, sobre como sermos felizes.

Este vídeo, para o qual, lamentavelmente, não encontro legendas em português, é uma pequena apresentação de uma visão distinta sobre a adicção. Habitualmente, a dependência é vista como uma doença que necessita de tratamento e que contamina as relações. Mas e se, na realidade, o inverso tiver uma influência significativa?



Eu explico. Aqui vemos como a ligação entre os seres humanos é saudável e desejada, elucida algumas das formas em que se manifesta e quais as consequências delas.

As múltiplas adicções que existem podem decorrer de prazeres iniciais insuficientes, levando a um escalar mais ou menos funcional, que pode desembocar num final de linha muito grave e sem retorno. Podem, do mesmo modo, resultar de mecanismos de defesa que nos encarceram desadequadamente, assim levando a uma necessidade de hedonismo imediato, um prazer que surge como resposta de ocupação, para evitar pensar e gerir a vida. 

É saudável lidar com o mau da vida, tal como com o bom.
É assim que evoluímos e que nos construímos.

É importante que tenhamos presente que os hábitos adictivos, com frequências prejudicais ao quotidiano normal, não são exclusivamente o consumo constante de estupefacientes que, por excelência, atordoam a sobriedade. Podemos encontrar a perda de autodomínio no trabalho constante e desmesurado que nos ocupa todos os minutos, no devorar incontrolável de pornografia, em jogo e apostas desregrados, no usufruto da adrenalina proporcionada por encontros sexuais fugazes ou até na dedicação excitada que criamos com o nosso telemóvel topo de gama (não é por ser elitista, é só porque terá tendência a ocupar-nos com mais facilidade, curiosamente, pela sua complexidade. Mas um dos telemóveis minis também é válido, basta recuarmos uns vinte anos e lembrarmo-nos do Snake ou do Sobokan, jogos de elite ao nível do vício).

Estamos programados para nos conectar.

Para criar vínculos. Para sentirmos algum tipo de retorno. É a natureza humana. Se não o sentirmos com o outro, podemos compensar de um modo menos adequado. Não obstante, há ligações e retornos com mais ou menos qualidade. O vínculo a tudo aquilo ou aqueles que nos condicionam, controlam ou afectam negativamente as outras esferas da nossa vida, estará a ser prejudicial. O ideal é sentirmo-nos confortáveis com as ligações que criamos e importa que seja algo que nos traga prazer e equilíbrio. O bem-estar deve ser estável, com oscilações pontuais e não sendo isso a regra. A moderação tem um papel virtuoso. Aqui percebemos que a conexão, o sentimo-nos integrados, terá, então, um papel fulcral no nosso quotidiano, na forma como o desempenhamos e nas escolhas que tomamos.

Adição é aqui percebida como um caminho de quem 
não se sente saudavelmente conectado

Já sabemos que as expectativas e as ideias preconcebidas influenciam de forma determinante a nossa percepção da vida. Se sentirmos que vivemos numa "jaula", se fizermos da nossa mente um local que nos encarcera, que nos prende, que nos limita, será expectável e natural que a visão que teremos do mundo seja angustiante e desprovida de contentamento. Se sentirmos que vivemos bem, envoltos de pessoas de quem gostamos e que gostam de nós, com uma vida rica em actividades que nos preencham, com momentos de moderação que nos permitam um sentido de vinculo gratificante ao invés de um sentimento de desconexão, passamos da jaula para o parque de ratos. 

Viver num parque de ratos, conectados, tranquilos, depende de nós e das opções que tomamos, diariamente. Mesmo que entremos para uma jaula, e que necessitemos de apoio para abrir a porta, podemos sair, integrarmo-nos e ajudar a construir o parque de ratos que tanto desejamos.


Sem comentários:

Enviar um comentário