sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Problemas? Para longe com eles!

Olá! Vamos metaforizar?

Imaginem-se no meio de um terrível desastre natural. Um descontrolo imenso à vossa volta, a natureza a clamar o seu terreno, destruição maciça sem qualquer controlo, um crescendo de devastação e terror, a alma em alvoroço, o corpo inteiro em pânico. Quando estamos no meio de uma catástrofe, apenas conseguimos sentir desespero, medo, terror, ser empurrados ao capricho das explosões bruscas pelas quais nos sentimos devorados... 

Se surgir a oportunidade de nos afastarmos, ao ponto de ver este inferno de fora, mas ainda muito próximos, iremos sentir o mesmo espectáculo de horror, sofrer muita tensão e receio, mas sentir-nos-emos com alguma esperança de não ser engolidos pelo mesmo e desejar poder escapar-lhe. 

Se formos capazes de sair daquele cenário dantesco, observando a uma distância segura, seremos capazes de ver o mesmo acidente terrível, por inteiro. Perceberemos que não é interminável, que pode ser contido e que o seu temperamento negro, tempestivo, agressivo e implacável continuará, contudo

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Entrar, sem cerimónia, nas cores alheias

Imaginem ter permissão especial para entrar nos muros privados de cada pessoa que se senta comigo e que, com coragem e dedicação, discorre sobre descrições do seu mundo, tentando encaixar sentimentos, emoções, momentos, abraços sentidos, histórias que já foram, desejos vindouros, acções pensadas ou lamentadas, beijos impetuosos, trabalhos duros e impossíveis, ócios perigosos ou escolhas intrépidas, ... O meu trabalho clínico é, indubitavelmente, um privilégio. Encaixar todas estas vidas dentro de uma pequena noz de hora. Conseguir distinguir o urgente do importante, seleccionar palavras certas e precisas, para que eu seja capaz de uma leitura organizada e completa de um quotidiano atribulado, cansado, e interrupto. 

É um desafio, conseguir estar segura de que a empatia, a escuta activa e a orientação necessárias estão na medida correcta, sem grande margem para erros ou vacilos. É humanamente muito valioso, poder obter o respeito de quem nos procura, na esperança de que resida em nós a habilidade decorosa e honesta de prestar o auxílio psicológico em falta, de modo competente e interessado. A troco destas competências e atenção, ser-se brindado com uma partilha real de história de vida, sucessos, medos, hesitações, necessidades de reorganização, anseio de novas perspectivas e de abordagens mais ou menos alcançadas. 

Não posso deixar de destacar que estar quieto 
é, imensas vezes, mais difícil do que agir:

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Desligar para activar: InnSaei

Olá a todos! 

O mundo existe, hoje em dia, a uma velocidade estonteante, com todas as ferramentas e actividades que temos disponíveis. Temos de parar e de fazer um esforço real se pretendermos saltar fora deste carrossel hiperactivo e ter um momento de calma. Já para termos um momento de paz interior, temos de fazer mais do que isso. 

Vi, recentemente, um documentário que venho hoje sugerir que vejam: o InnSaei! É uma hora do vosso tempo que, bem interpretada, valerá como muito mais horas de tempo de qualidade com vocês mesmos e com as pessoas que vos rodeiam. 

É a história de uma pessoa que se esgota num quotidiano vivido em piloto automático, sempre seguindo a lógica e a racionalidade de uma vida activa de trabalho. Interrompendo-se este ciclo de forma abrupta e forçosa, opta por descobrir como entrou em burn out, percebendo que vivemos submersos no mundo que criamos, em vez de atentarmos no mundo à nossa volta. Não usufruímos de experiências sensoriais, apenas de comandos seguidos uns aos outros, e, na busca incessante de prazer, anulamos a possibilidade de isso acontecer em pleno.

terça-feira, 1 de maio de 2018

A vida vai torta... Jamais se endireita

Olá a todos!

Em dia de manifestação internacional pelos direitos e melhoria das condições de trabalho, numa união coesa de respeito por todos nós, retomamos a partilha, rumo a um nós mais realizado. Para que consigamos lutar, em amplitude, por melhores condições laborais, ajuda sentirmo-nos aptos, em todas as nossas esferas. A estabilidade e a motivação devem iniciar-se dentro de nós, nesse imenso local que nos confere energia e faculdade de operarmos sobre o que queremos e merecemos. Em dia de luta, vejamos como obter vitalidade mental e física, através da consideração até pelos nossos dias mais tortos.

Todos nós temos momentos. Momentos bons, menos bons ou até em momentos que nem conseguimos perceber como estamos. A vida é um autêntico desafio, repleto de outros tantos desafios, que nos brindam com situações delicadas, assustadoras dúvidas e espantosos sucessos ou surpresas. No quotidiano, escolhemos mais as nossas armas, do que a luta onde nos encontramos. Não pretendo dar aqui uma conotação negativa aos alcances que podemos atingir, uso estes termos no sentido de força, de empenho, de trabalho para obter o que acreditamos ou queremos. Quando nascemos, temos o desafio de aprender a ser, em adolescentes, suspeitamos se ainda nos falta aprender algo, em adultos percebemos o quanto ainda nos falta aprender e na idade avançada compreendemos que talvez possamos usar o que sabemos, de diferentes formas. A vida ajuda-nos a alcançar novas perspectivas, este é um dos super poderes que mais aprecio e valorizo no ser humano. É ele que nos leva a sentir empatia, a aproximarmo-nos dos outros e a sentirmo-nos compreendidos e mais felizes e serenos.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Todo o tempo do mundo, para ti

Olá a todos!

Leio, frequentemente, o mesmo através de livros, artigos e qualquer linha que caia sobre o tema de ser feliz em casal: importa passar tempo de qualidade juntos. Contudo, andamos perdidos num quotidiano que mal nos deixa tempo para inspirar fundo e cheirar as flores, relaxar em frente a um filme interessante, fazer exercício físico, convidar amigos para jantar, levar os miúdos aquela actividade tão interessante, ufa... Na realidade, como é que vamos conseguir encaixar tempo para investir um no outro, conseguir o tal "tempo de qualidade"? Mesmo que se consiga, o que é que fazemos ao certo com ele? Tem de ser um super encontro semanal? Uma escapadinha romântica mensal? Ou um gesto arrebatador a cada trimestre? E a energia... o dinheiro... a motivação para embustes amorosos que, a sermos honestos, pouco acrescentam à relação, a longo prazo...

Na realidade, pode parecer que advogo contra esse mesmo tempo de qualidade contudo garanto que isso não é verdade.